Se fazer uma pergunta, por muito descabida que seja, leva a que as pessoas percam a sensibilidade e os modos, algo está muito errado. Já há muito tempo se diz que perguntar não ofende. Se soubéssemos tudo a vida não seria aborrecida?
Não tarda nada estou à frente de um balcão duma farmácia, não sei quantas horas por dia. O meu trabalho vai ser escutar pessoas e ir de encontro ao que me dizem e ao que é melhor para a sua situação.
Se uma pergunta me fizer perder as estribeiras é certo que não estou a fazer um bom trabalho. E nem falo do facto da pessoa provavelmente não voltar lá. O problema é o meu mau acto farmacêutico que pode levar a erros de interpretação, a perguntas que deveriam ser feitas e não o são, etc. E o culminar dessas situações é mesmo a toma do medicamento de forma incorrecta e a perda de confiança no profissional de saúde.
Portanto, faz-me confusão quando alguém que tem de lidar com pessoas regularmente, por muito cansada que esteja, é mal educada sendo esse ainda por cima o seu ganha-pão.
Pois é. Ainda assim ouvem-se sempre muitas desculpas. Ah estou aqui há muitas horas; Ah não faço intervalos...etc... Mas pode alguma vez isso ser desculpa para falarmos mal à pessoa que temos à frente?
Se estamos a fazer um trabalho o mínimo que podemos fazer é ser educados. Não digo aceitar tudo o que nos pedem, deixar que sejamos mal tratados. Nada disso. Mas tratar a outra pessoa com respeito, mesmo que esta nos desrespeite.
Para mim, um sentimento horrível é aquele em que, mesmo sabendo que temos a razão do mundo, fomos incorrectos para determinada pessoa.
De que serve isso? Nem nós ficamos bem, nem a pessoa entende o que se passou, onde errou.
Não se ganha nada em ser mal-educado e responder mal.
A comunicação é uma arte. E há tantas maneiras de dizer a mesma coisa...